16 novembro, 2008

Ministra da Educação – Entrevista (1)



16 Novembro 2008 - 21h00

Entrevista

"Se o Governo suspendesse a avaliação seria uma vergonha"


Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, não conhece uma única escola em que a avaliação de professores esteja suspensa. "Uma vergonha" é como classifica uma eventual decisão do Governo que levasse à suspensão do processo.


Correio da Manhã/Rádio Clube – Em três anos e meio de governação esta foi a pior semana que passou?

- Não sei dizer. Não me recordo se foi a pior semana.


ARF – Os alunos estiveram nas ruas, em manifestações selvagens, convocadas por SMS, contra o regime de faltas, não querem exames, os professores não querem ser avaliados ou estão a contestar a este modelo. Ninguém quer nada na Educação? Está tudo contra na Educação? Será sito assim?


- Não podemos dizer que é tudo. Penso que há sempre em todas as matérias, em todos os sectores, diferentes pontos de vista, diferentes posições e opiniões até. Todos somos livres de exprimir esses nossos pontos de vista, essas nossas opiniões, das mais diversas formas. Eu tenho que lhe confessar que o que vi em relação aos alunos não gostei. Ninguém gosta de ver. Há muitas outras formas que felizmente a vida democrática nos trouxe.


ARF – Também acha que são grupos radicais que estão a manipular os estudantes?


- Eu acho que há uma tentativa de envolvimento da questão dos alunos, misturar essa questão com outras questões. Acho que há uma tentativa de envolvimento que me desagrada e que me preocupa.


ARF - Uma aluna explicou que estava numa aula, o professor criticou o regime de faltas e eles decidiram fazer um cartaz e manifestar-se. Isto é normal acontecer num País democrático?


- Não, não é normal. O que caracteriza a democracia é justamente um quadro de regras muito claro, com a possibilidade de participação e mudança das regras nas situações próprias. E, portanto, não acho normal, também não gosto do que vejo. Mas eu vi com atenção o que os alunos têm vindo a reclamar. E há um aspecto ao qual eu sou bastante sensível.


ARF – Qual?


- Quando um aluno me refere que na sua escola as faltas por doença são tratadas em termos dos efeitos da mesma forma que as faltas por outra razão qualquer isso não está correcto. Não é esse o espírito do Estatuto do Aluno.

N. D.Foi deturpado o espírito?

- Repare. Não é esse o espírito. O Estatuto do Aluno é uma lei que tem de ter tradução nos regulamentos internos das escolas. Eu mandei já fazer o levantamento dos regulamentos internos das escolas, já tínhamos aliás sido alertados pela CONFAP, e mandámos fazer uma verificação de todos os regulamentos internos para ver em que casos é que há um desvio tal daquilo que é o espírito da lei. E, portanto, estou eu própria disponível para analisar essa situação. Estou, aliás, a analisar a situação porque isso não é aceitável. Isso foge completamente ao espírito da lei, tem de ser corrigida.

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