01/07/2015

Socrates mete medo!

Sócrates: porque lhe pedem para falar se não querem ouvi-lo?

 

Publicado em Junho 30, 2015 por estrelaserrano@gmail.com

 

São curiosas as reacções dos jornalistas  às intervenções públicas de José Sócrates, feitas a partir da prisão. Por um lado, enviam-lhe pedidos de entrevistas e  perguntas e esperam dias, semanas e meses até conseguirem que ele aceite. Depois, quando as conseguem, dão-lhe o maior destaque, o que é natural, dado que Sócrates continua a impor-se à agenda pública.

Porém, os meios de comunicação social que  conseguem falar com Sócrates sentem depois necessidade de se demarcarem, como que desculpando-se por lhe terem dado a palavra, esclarecendo que não puderam fazer o contraditório, assim menorizando a informação que eles próprios se esforçaram por conseguir.

Mais ainda, as palavras de Sócrates são depressa convertidas através de interpretações sofisticadas num ataque implícito ao PS, mesmo que ele diga o contrário. António Costa surge então como vítima de Sócrates e Sócrates é acusado de prejudicar o PS cada vez que fala.

Fica assim criada uma inibição velada, de modo que  ninguém com responsabilidades no PS se atreve  a falar em Sócrates para não ser acusado de estar a prejudicar Costa e o PS e a misturar a política com a justiça.

E, como se não bastasse, se o assunto é discutido pelo público que telefona para os programas de rádio e alguém tem o desplante de apoiar as palavras de Sócrates e criticar o Ministério Público ou o Juiz de instrução com palavras mais duras ou inconvenientes, logo o moderador pede respeitinho pela Justiça, como se a Justiça estivesse acima da crítica e mesmo de alguma incontinência verbal, tão habitual nesses programas.

Dir-se-ia que Sócrates é para os jornalistas uma espécie de isca para atrair mas logo a seguir é repelido por quem tentou atraí-lo. O que ele diz é depois “servido” contra ele.

Ora, se os jornalistas o criticam por falar porque lhe pedem entrevistas?

Já se percebeu que me refiro à entrevista de Sócrates à TSF e ao DN  publicada hoje por ambos os meios. E embora eu não tenha referido nomes, devo ressalvar que os autores da entrevista  – Nuno Saraiva e Paulo Tavares – tiveram a atitude correcta. Deram-lhe o destaque merecido e não se desculparam com análises auto-castigadoras. E as perguntas que fizeram dão matéria para reflexão.

É pena que muitos socialistas se sintam intimidados e  não tenham questões a colocar sobre o funcionamento da justiça.

 

Sem comentários: