18/08/2015

O engano

Como um “artista” da palavra tenta branquear a actuação do actual governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas

 

Pf não há que deitar poeira para os olhos dos poprtugueses, embora muitos ainda queiram continuar a ser enganados por mentirosos e aldrabões como os do governo actual.  E são enganados, levados ao engano pela imprensa e por muitos escritos e passagens nas televisões, de gente que escreve e fala como o autor deste texto.

Por mim, digo: a mim não me enganas tu!!! Percebes?

 

“Retirado do site do PSD: “Na parte do discurso que ‘arrancou’ mais palmas, Passos Coelho pediu ainda aos portugueses para que decidam com «a cabeça e com o coração», colocando de parte qualquer «azedume, amargura e ressentimento».”

Azedume porquê? Amargura com o quê? Ressentimento em relação a quem?

Por a economia portuguesa ter crescido em média 0,3% nos últimos 15 anos?

Por termos uma taxa de desemprego nos 12% que só voltará aos níveis pré-crise daqui a 20 anos?

Por termos uma dívida pública acima dos 120%, primeiro escondida dos números depois falhada nas metas?

Por termos austeridade permanente em sucessivas medidas temporárias?

Por termos impostos elevados, reformas e salários do Estado cortados, ao contrário do garantido em campanha?

Por termos o salário líquido reduzido mas também o salário bruto cada vez menor, um em cada cinco assalariados a receber o salário mínimo?

Por termos esbanjado fundos estruturais em estradas vazias, túneis incompletos, PPP ruinosas?

A declaração de Passos Coelho, sendo sobre a coligação PSD/CDS, aplica-se também ao PS. Os portugueses têm tudo menos “azedume, amargura e ressentimento” em relação aos três partidos do Centro. Reelegem-nos sempre, em alternância.

Por termos um ex-primeiro-ministro preso, um ex-banqueiro suspeito, um ex-político e ex-banqueiro de pulseira?

Por vermos bancos que eram geridos por políticos e com políticos quebrarem e precisarem de dinheiro do Estado?

Por ouvirmos promessas eleitorais que não são cumpridas, sempre seguidas de aumentos de impostos?

Por todos os compromissos políticos de redução do défice orçamental falharem, ano após ano?

Porque votaremos sabendo que semanas depois haverá um novo Orçamento do Estado que terá mais austeridade do que o anunciado?

Porque não havia alternativa? Porque o mundo mudou? Porque na verdade nunca nada muda?

A declaração de Passos Coelho, sendo sobre a coligação PSD/CDS, aplica-se também ao PS. Os portugueses têm tudo menos “azedume, amargura e ressentimento” em relação aos três partidos do Centro. Reelegem-nos sempre, em alternância. E voltarão a eleger um deles agora, ou uma coligação liderada por um deles, como mostram as sondagens. Até porque a dramatização da maioria absoluta vai dominar todo o discurso eleitoral do PS e da coligação PSD/CDS, provavelmente concentrando votos em prejuízo dos partidos emergentes ou mais pequenos.

Este texto não é uma lista extensa e mal disposta de perguntas, é uma lista pequena e factual de razões de incredulidade. Não tanto com o pedido de Passos Coelho em si mesmo. Mas pela infantilização do eleitorado que ele pressupõe quando, no fundo, o eleitorado sabe bem ao que vai. Só não vai ao engano porque o engano contido nas propostas eleitorais está assumido pelos votam. “Com a cabeça e com o coração.””

 

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