02 outubro, 2011

EDUCAÇAO

Acontece neste país e se for verdade é grave.
Contam-nos que um senhor Professor, foi colocado na Biblioteca da escola, ganhando um vencimento mensal (ganha sempre, mesmo naqueles meses e férias que nada faz) de cerca de 2.500,00 €, por incapacidade de relacionamento com o alunos.  Isto em resultado dos vários conflitos que angariou com alunos e encarregados de educação durante vários anos lectivos.
Ora, este ditos profissionais, que não sabem ou não querem leccionar, que são uns inadaptados aquilo que entenderam que seria a sua profissão e que demonstram não ter aptidão para tal, podem ficar, anos sucessivos à sombra duma biblioteca, auferindo um vencimento deste montante, como prémio?
Não.
Os impostos de que trabalha honestamente, não podem servir para  pagar prémios a este "empregados do Estado"
Gente desta terá que ser obrigada a mudar de profissão, com base numa "justa causa".
Bolas, isto é de mais.

1 comentário:

Sérgio O. Sá disse...

Posta a questão deste modo, qual bom-senso não terá de estar de acordo com o que é sugerido no penúltimo parágrafo?
Penso, porém, que tenho o direito de duvidar do "retrato" apresentado. É que poderá ser questionável o entendimento que cada um tenha de "capacidade de relacionamento", porquanto não raro esse entenddimento corresponde a algo mais ou menos distinto do conceito da espressão em abordagem neste comentário, independentemente do grau de subjectividade que o possa envolver.
A "capacidade de relacionamento" de quem quer que seja depende sempre da interacção das partes em convivência. E, no caso "professor/alunos", se considerarmos o que a cada parte incumbe, verificamos ser frequente que, hoje, tais incumbências se distanciam objectivamente. Se os professores têm o dever de desempenhar as suas funções o melhor que sabem e podem, cativando seus discípulos para a "obrigação" de aprenderem, os alunos interiorizaram já a ideia de que estão a fazer um favor aos professores e à Escola, frequentando-a. Se os professores exigem, tornam-se "secas" insuportáveis e são desprezados por quem (alunos e enc. educ.), em vez de transformar em resultado positivo a acção pedagógica de quem os forma, lhe impõe o dever de dar aprovação, se possível com boas notas, mesmo que não a mereça.
Em situações destas, infelizmente mais frequentes do que o que se pensa, de que lado estará a "capacidade de relacionamento"?
Poderia referir vários casos ilustrativos do que pretendo dizer, mas deixo aqui dois ou três, apenas.
Conheci um colega (excelente profissional, pedagógicamente capaz, mas exigente, daqueles que levam os alunos bem longe se estes quiserem e se interessarem) que, a certa altura da sua carreira, chegou à conclusão de que tinha de desistir dela. Ao seu esforço, empreendido com devoção e empenho, deixou de corresponder o interesse dos alunos que, nos seus últimos anos de serviço lhe tocaram em sortes. Como bom professor que era, ainda tentou relimar arestas, mas acabou por não ter alternativa. O seu carácter não o deixou ir para uma biblioteca de escola. Simplesmente abandonou a carreira. Todos ficaram a perder, mas não teve outra solução. Ora, tratou-se de "incapacidade de relacionamento"?
Outro caso, curioso. Uma colega, mais nova, hoje ainda no activo, era, no meu tempo, docente com uma fantástica "capacidade de relacionamento" com os alunos. Todos os alunos gostavam dela, fossem interessados ou não, disciplinados ou insolentes (ela era fixe, era o máximo, diziam).
A meio do ano lectivo, por força da redistribuição de funções num ou noutro departamento, uma das suas turmas veio parar às minhas mãos. Oh meu Deus! O que me esperava! Dos 24 alunos, três ou quatro tinham adquirido o mínimo exigivel; os restantes vinte deveriam simplesmente estar no cíclo anterior(o 2º ciclo).
Será de imaginar a minha reacção, mas culpar os alunos? Em princípio não. Só que nas duas semanas seguintes tive de repartir as culpas pelos alunos, pelos encarregados de educação e pela professora, que até tinha uma óptima "capacidade de relacionamento"...
Por fim acrescento que a última gente que preparei já não deixou saudades. A essa cheguei a atribuir notas imerecidas, bem mais elevadas do que outras com que reprovara, em anos anteriores, alguns discípulos com melhor aproveitamento.
Nos últimos anos, subliminarmente coagido, aprovava contra minha vontade quem não merecia. E no final, perante a evolução negativa que já emoldurava o ensino, seria eu capaz de manter a "capacidade de relacionamento" de outros tempos? Não, não fui capaz. Mas também não aproveitei a biblioteca para continuar a ganhar a vida na Escola. Com 43 anos de trabalho, ainda que apenas meia carreira na docência, requeri, com toda a legitimidade que me assistia, a aposentação a que tinha direito. Desliguei-me da profissão que um dia, um tamto serôdiamente, abraçara com paixão, quando a utopia ainda fazia sentido.